sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
Imperecível
É noite.
Chove.
Cresci.
Não dançaste comigo a valsa de meus quinze anos.
Nem descobriste o meu primeiro namorado.
Amei.
Desamei.
Sonhei.
Batalhei pelo que quis.
Me frustrei.
Me vi mulher.
E mesmo que não estivesse por perto, sei que de algum lugar me olhava.
As coisas não são mais as mesmas... senti ódio, meu pai. Chorei sem saber como seria o dia de amanhã...
O cansaço do cinza se revelou para mim.
Alguns sonhos se foram, outros ficaram, outros surgiram.
Sonho ser mãe... e sim, lembro-me perfeitamente dos planos feitos quando eu nem imagina sonhar isso.
Não sei se segui a direção que queria... não sei se sentes por mim pena, ou rancor, ou frustração... o que eu sei, é que sinto algo muito além da saudade, algo que não se traduz.
Legou-me uma fé inquebrantável na vida e é isso que me mantém em pé.
Não tarda e já se vão dez anos desde a sua partida...
quanta dor
quanta dor
quanta dor
quanta dor
quanta dor
quanta dor
(...)
Chove.
E sob o respingar das gotas do telhado a minha mão continua inerte, recebendo toda a força vinda dos Céus, como na época em que me carregava nos braços e me mostrava a poesia da vida, que hoje busco só.
Pai...
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