sábado, 16 de novembro de 2013

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Ciclo

    Novamente via-me naquele local: Uma estrada sombria, chuvosa, na qual meu coração temerosamente palpitava. E astuta, observava cada movimento dentre o negrume. Quando ouviria, caminhando sobre a relva, os pesados passos que ecoariam noite adentro? Paralelo ao pensamento, o zunir do sangue em meus ouvidos alertava-me a partir. E que o fizesse logo, pois estavam prestes a chegar, e correr não resolveria, não mudaria o desfecho do espetáculo.
    Coloquei-me a caminhar com mais afinco. Quanto tempo restava? Um, quem sabe dois minutos? A lama respingava generosa em meus sapatos, e as árvores estavam a me observar em mudo alarde. Estas conheciam cada ato da peça, estavam ali desde a primeira vez que presenciei aquele cenário. Sabiam exatamente onde aquilo terminaria. Ou melhor, como continuaria, pois nunca houvera remate de fato.
    Por fim, a espera se concluiu. O meu velho companheiro havia chegado. E o que começou quase como um murmúrio, em pouco tornou-se estrondosa marcha, que competia compassadamente com o arquejo dos meus pulmões. Ambos os sons formavam em consonância, a ópera composta por pânico e medonho vazio. Vazio, pois afinal, o dono das maciças botas nunca cheguei a identificar. Seria hoje? A curiosidade se resguardava do conhecer. E conforme o frequente incógnito se aproximava, minhas pegadas marcavam o chão com maior constância, e o som abeirava meu corpo, adentrava invasivo as entranhas que me mantinham em pé. Finalmente, iria tocar-me. Senti as pegadas como em mim. O calor da pele, o arfar da respiração. Porém, em um lapso alheio, consegui entrar no fim da floresta. Mas não era formada de galhos e lama, esta dava direto ao começo - começo? - do ciclo ao qual nos submetemos: Eu, e minhas amigas folhosas. Por incredulidade, virei-me. Não havia ninguém em meu encalço. Apenas o velho cenário: A mesma vegetação,céu, céu... Não. Desta vez não havia chuva, sequer luar. Em seus lugares, aguardavam um dia nublado e árvores rubras, que junto à estrada, formavam um ponto de fuga. Ele levava direto a olhos cor de mel, que fitavam-me curiosos, e que abriram-se em um sorriso brando de orelha à orelha. E enquanto perguntava-me o porquê deles estarem ali, as cortinas do onírico espetáculo abaixaram-se, findando-o em pura interrogação.

Tecitura

O embaraço dessa vida
Esses fios que se cruzam, se abraçam
Se misturam e se encaixam...

Uns fios se cruzam e logo se desatam
Outros se enrolam e envolvem
Num nó cego se amarram

existem aqueles que são finos e frágeis
Parecem estar sempre prestes a arrebentar
outros que são cabos de aço
Fortes e difíceis de cortar

Mas se queres uma história enrolar
Tece agora sua vida
Com aquela que te encantar

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Toque

Na noite me acho
Da noite me faço
O toque lhe peço
Desmancho no abraço

No beijo que vivo
O suspiro urgente
O olhar cativo
O toque ardente

Me faço e desfaço
Te envolvo, te enlaço
Dos desejos se façam
Nos teus beijos se acabam